Incentivado por um tédio tântrico de paulista acostumado a afogar as mágoas e desavenças ocupacionais na praia - lar, salgado lar - resolvi dedicar algum tempo de meu final de semana para o meu querido blog, que pedia encarecidamente ao meu bem-estar atualização.
Hoje o sol escaldante se aliou a sensação térmica africana para tornar a piscina do clube num ambiente hostil, cercado de crianças mijonas que aquecem ainda mais a água e guarda-sóis forno, que cozinham a carne por debaixo da cutis.
Meu intuito era passar o dia às traças: acentuar o bronze árabe, me esbaldar nas raias de vinte metros e sentir a briza fresca balançando o meu cabelo enquanto observava as famílias tirando a chinfra do apartamento e ouvia meu tocador de música. Mas ao revés de minha pretensão, o severo bafo ocasionado pelo Astro Rei só serviu para incomodar a alma e marcar um bigode de atleta com traços de protetor solar, fetiche de propaganda de analgésico tópico muscular.
Pouco consegui aproveitar.
Infelizmente, nem só de dia esse nefasto calor tem incomodado. Às noites, na hora do sono recompositor, o mal-estar ocasionado pelo quente tem me trazido sonhos pouco virtuosos, como o bandido dessa última madrugada.
Sonhei que descia as escadarias do meu prédio gritando fogo, pois na minha fértil imaginação, o apartamento acima do meu se esvaía em chamas. Na descida, todos com quem encontrava apontavam para mim e riam dos meus avisos.
Eis que na portaria do meu prédio, ao invés do inabalável Tonhão - dono de um humor impecável - estava a presidenta do nosso país Dilma Rousseff, comendo com as mãos um frango à passarinho frio dormido numa embalagem de alumínio amassada.
Acordei quando, com um olhar assustado e meio estrábico, ela me fitou, segurando em sua mão uma perna de galinha mordida e com a boca melada de uma mistura de óleo do frango, alho e salsa.
Aflito acendi a luz, olhei no relógio e eram 4 horas da manhã. Um sufoco.
Só fui dormir tempos depois segurando firme um terço. E ao acordar, por volta das 11 da manhã, pensei, ingenuamente, que um mergulho e um "relax" na piscina do clube me faria abstrair os momentos de horror da noite passada.
Passei o resto da tarde em casa buscando algum filme que me faça desanuviar a mente em pról do meu singelo prazer.
Doce ilusão. Na TV passa um filme chamado "Matadores de Vampiras Lésbicas".
Estou considerando esperar ansiosamente o inverno.
Alguém mais tem tido sonhos bizarros?
6 de fevereiro de 2011
8 de dezembro de 2010
Qual é a da Tropa?
Ontem assisti a continuação de Tropa de Elite, febre cinematográfica nacional e na minha humilde opinião de cinéfilo de araque, um dos melhores filmes produzido em terras verde-amarela.
O protagonista do filme, Capitão Roberto Nascimento é o mais novo herói brasileiro e faz qualquer ser que tenha o mínimo de cidadania deliciar-se ao vê-lo descer a porrada em político corrupto e dar tapa na cara de vagabundo.
No entanto, a fictícia obra do Padilha nada mais é que um justo retrato da criminalidade no Rio de Janeiro e em diversas outras cidades canarinhas, onde a podridão e a mácula da sociedade têm início nas ambições dos que compõem a cúpula dos poderes no Brasil.
Fato é que ano passado, no Estado do Rio de Janeiro, foram apreendidos cinco toneladas de drogas, e em apenas um fim de semana de intervenção no Complexo do Alemão, foram capturados mais de sessenta toneladas de tóxicos.
A obviedade nessas notícias de que as entidades que deveriam nos proteger estão envolvidas diretamente com a criminalidade salta aos olhos.
Até parece que foi a ficção que virou realidade.
Não precisou de nenhum esforço para sair do cinema com uma sensação de impotência, visualizando que o "sistema" - tão mencionado no filme - não vai mudar tão cedo com a atual mentalidade e falta de informação e educação da massa.
Perplexo, pensei quantos Nascimentos precisamos para parir uma sociedade sem crimes e mais segura.
Mais chocado ainda, lembrei que ao contrário do "sistema", o Cap. Nascimento é só um personagem da ficção, e pior, fez até propaganda pra TIM – que já me fudeu sem sequer me beijar.Pois é, o último que sair apaga a luz.
10 de novembro de 2010
Rupturas
Eis que ao começar o dia, contrariando qualquer supersticioso roxo, levei meu pé esquerdo ao chão naquela sexta-feira ensolarada que anunciou logo cedo o fim-de-semana bacanudo que estava por vir.
O primeiro raio de sol atravessando a janela brilhou nos olhos simultaneamente a uma dor em meu tornozelo, arrancando do peito um gemido que a tempos não soltava. Manquei o dia inteiro e, ao acreditar no máximo estar sofrendo uma tendinite, o veredito: ligamento rompido.
Desconsolado após a surpresa e pensando nas três semanas de molho mais fisioterapia diagnosticados, contive o choro enquanto mancava a caminho do carro, sentindo que indignação e até uma pequena decepção queriam alugar provisoriamente o peito que considerei, muitas vezes, inabalável.
De nada adiantou: naquela noite, até granizo choveu.
Com algumas exceções do que realmente não nos faz bem, romper, seja lá o que for, é sempre muito chato.
Exemplificando: se a simples conexão com a internet - com suas b(u)andas cada vez mais largas - cair nesse exato momento, você que está lendo meu blog, certamente ficará decepcionado e até puto(a) da vida.
Mas quem nos dera ser desconectado da rede fosse o maior dos problemas. Pode se romper relações espirituais, materiais, amorosas, profissionais, familiares, físicas e até amistosas quando não queremos, e o desgaste em cada ruptura é sempre enorme, principalmente naquelas em que emoções estão envolvidas.
E maior o nosso tempo por aqui, mais laços são criados e, dessa forma, as rupturas - para o bem ou nosso mal (mesmo buscando acreditar que nunca são para o mal).
Exercitar o desprendimento e aceitar o que a vida nos dá pode ser uma solução para os mais sensíveis às perdas, mas essa tarefa não é fácil. Dar a devida medida a cada vínculo e sofrer à sua proporção - quando devido - é coisa de gente grande, e geralmente, daquelas um pouco mais vivenciadas que nós, aprendizes.
Ainda meio chateado, talvez exista sim algo maior que se concretizará enquanto estiver cozinhando no banho-maria do tédio, limitado e impossibilitado em realizar o que mais gosto.
Alivia imaginar que quando algo é ruim, poderia ser muito pior.
Lembrem-se disso ao terminar de ler isso aqui.
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